Era uma vez…

27 Janeiro 2010

“Era uma vez…” é o inicio de muitas histórias…

É esse o desafio que vos proponho. Gostava que dessem asas à imaginação e partilhassem aqui o tipo de história que imaginam com este conjunto de imagens. Colocarei a mais original.

Estas imagens foram produzidas no módulo de iluminação, pertencente ao curso de fotografia aplicada dado pelo MEF (www.mef.pt)
**Dedico este conjunto de imagens ao meu querido sobrinho Bernardo.**

Uma resposta to “Era uma vez…”

  1. esmi baúto said

    este comentário é resposta ao desafio colocado pelo autor das fotografias…Luis Boal, escrever um texto para estas fotos….. 🙂 excelente ideia!! parabéns!

    ““era uma vez…… aquela viagem….
    a viagem que estava a decorrer, naquele dia de céu cinza prata, parecia interminável……. queria olhar lá para fora mas as gotículas de água escorriam pelo vidro, daquela carruagem, e nem os traços desenhados no seu embaciado me deixam distrair a alma… algo me inquietava naquele instante…

    Sentia-me impaciente… o comboio rolava à sua velocidade de cruzeiro enquanto eu ouvia aquela música que uns amigos me tinham enviado por e-mail… apesar de me sentir agitada tentei manter-me discreta. Sentia uma vontade imensa de conversar mas as pessoas que me rodeavam dormitavam tranquilamente…… olhei em volta…. tudo na mesma…uns dormiam, outros liam livros ou jornais do dia e eu…. eu quase soltava um grito de: “conversem!!! Deixem de ser tão individualistas!!” acabei por sorrir sobre aquilo em que tinha pensado…

    Lá fora passavam, ao ritmo do comboio, paisagens que se adivinhavam deslumbrantes….mal as conseguia vislumbrar por causa daquela chuva mas os tons terra, fogo, ouro, prata cruzavam-se fugazmente com o meu olhar…..
    Seguia rumo ao Nepal…………
    Para trás tinha deixado uns meses de fotografia… uma exposição que me consumia a alma…por rever, nela, momentos de vida inesquecíveis…
    Tinha regressado recentemente de Bali onde tinha surfado aquela gigantesca e famosa onda “glass” (1) …. Onde tinha aprendido quase tudo sobre aquela aldeia… acabei por lá viver dois meses. Dois meses de aprendizagem e ensinamentos inesgotáveis… Ron tinha estado comigo para surfar e também se rendeu à evidência daquela vida simples e desprendida onde os valores morais assumem um sentido mais acentuado…mais real…confesso que não sei bem porque voltei… nada me prendia a lado algum…
    Sentia, agora, a alma livre e tranquila….em paz!
    Os solavancos da carruagem arrancavam-me, de vez enquando, ao enredo de ideias e sentimentos que se iam sucedendo dentro de mim… reparei que passávamos por cidades, casas… pontes… viadutos… movimento… tudo se passava naquelas vidas apressadas, ou talvez não… talvez seguissem apenas instintivamente as suas vidas simples, deixando fluir a vida por entre os dedos do tempo… do tempo sem fim…
    Abandonei-me ao pensamento…. deixei-o correr veloz… queria escrever um pouco mas as ideias corriam mais depressa…. sorri… semi-cerrei os olhos e… sonhei….
    Acordei com o parar do movimento. Tínhamos parado numa estação, no centro de uma cidade.
    Olhei para perceber o que me rodeava: pessoas….pessoas e mais pessoas…umas olhavam relógios, verificando talvez horas de embarque ou horas de chegada de alguém que esperavam, outras circulavam e conversavam algures por ali… olhei ao longe e conseguia perceber uma torre alta de uma catedral…
    Depois de cerca meia hora em que pude levantar-me e circular um pouco, ainda que, dentro da carruagem… aventurei-me até perto da porta… tinha uma vontade imensa de sair um pouco… ficar por ali e conhecer mais… hum… não podia dispersar-me daquilo a que me tinha proposto: a viagem ao Nepal!
    Desviei essa ideia de vez e continuei a circular por ali… pessoas diversas faziam o mesmo: aproveitavam o tempo para “esticar” as pernas, conversar com alguém por ali ou mesmo fumar um cigarro perto da porta de saída. Andei mais um pouco e encostei-me à porta onde podia apanhar um pouco do ar que entrava… de repente, sem pestanejar, penso até que abri mesmo os olhos e do outro lado alguém fazia o mesmo: Ron estava ali!!! Viajava no mesmo comboio!! Depois de um abraço bem apertado de saudades enormes e um sentimento feliz por ver alguém como Ron, percebi por que razão não tínhamos conseguido comunicar um com o outro nos últimos tempos… sentia que as próximas horas seriam horas mirabolantes de estórias que não acabariam nunca: Ron tinha estado em Lhasa…… e eu… “bebia” cada palavra que dizia sobre a sua aventura na cidade com que eu sonhava…
    Viajámos a partir dali juntos rumo ao mesmo destino… estórias contadas…estórias por contar… um mundo ainda por sonhar… a viagem continuava ao ritmo daquele comboio onde as cores, as pessoas, as conversas…se cruzavam deixando adivinhar muito da história de cada um……”
    ((1)nota que remete para uma outra “estória” também escrita por mim… )

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